Um edifício chamado Amazonas

Admita, caro leitor, que dá um certo orgulho de ser carioca saber que o Rio de Janeiro possui prédios art déco tão antigos – ou quase tão antigos – quanto aqueles localizados na cidade que irradiou este movimento artístico para o mundo – Paris! Exemplos disso são o Edifício Heydenreich, de 1926, sobre o qual já falamos aqui, e o Edifício Amazonas, sobre o qual falaremos hoje.

O Edifício Amazonas fica ali no número 25 da rua Fernando Mendes, em Copacabana, e deve ser tão antigo quanto a rua, pois jornais de época já trazem fotografias de demolições a dinamite feitas para a abertura do logradouro, tudo testemunhado pelo edifício. Abaixo está uma fotografia retirada da edição 22 da Revista de Arquitetura, de 1936, onde a construção aparece soberana na paisagem.

O projeto é de 1934, dos engenheiros-arquitetos SANTIAGO & KIRITCHENCO. Sua construção deve ter começado por volta do segundo semestre desse ano, pois já em março de 1935 estava de pé. O proprietário era o Comendador Francisco Martinelli (Lucca, Italia, 1873 – Rio de Janeiro, 1940), irmão do também Comendador José Martinelli, hoje tão famoso em função de sua construção mais ilustre – o Edifício Martinelli, em São Paulo.

Meu interesse maior, como já tantas vezes confessei, são os trabalhos artísticos que os prédios carregam sobre si. Pois bem. Há tempos paquero o lindo baixo-relevo posicionado sobre a portaria principal, no qual vê-se a inscrição AMAZONAS, em letras garrafais, em meio a uma vegetação tropical – amazônica, na imaginação do artista – na qual se destacam uma grande folha de palmeira, uma cobra e… um abacaxi! Não há assinatura, mas o historiador Marcio Roiter atribui a execução ao traço do artista luso-brasileiro Fernando Correia Dias de Araújo, primeiro marido da grande Cecília Meireles e expoente do art déco nativista nacional, que nos deixou precocemente, aos 42 anos de idade.

Decoram o corredor de entrada ao prédio dois retratos a óleo, não reproduzidos aqui. O Comendador Francisco Martinelli está retratado na pintura à direita e a esposa, Maria (Cecy) Torres Martinelli, à esquerda. Ao final da vida, sem deixar herdeiros, teriam legado a propriedade do imóvel à Arquidiocese de São Paulo.

O hall dos elevadores, embora simples, possui aquela imponência característica do estilo. Merecem destaque os vitrais jateados junto à portaria e o coloridíssimo vitral basculante visto aqui.

Até a próxima!

3 Comentários

  1. Ronaldo Rego · · Responder

    Aquela região em torno da praça do Lido, em Copacabana está cheia de edificios art decô, com certeza por volta de 1937. Na Praça Serzedelo Correia existe um ed. tombado de nome LAMBERTI (são 16 edificios art decô tombados em Copa) cujos donos do mesmo nome, e que residiam no último andar. Infelizmente foi descaracterizado os dois apartamentos do primeiro andar que dão para a rua, destruindo-se os belos trabalhos de ferraria das janelas, apesar do tombamento. Com a palavra o IPHAN.

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    1. Bem-vindo de volta, Ronaldo! O Lido é um prato cheio para quem curte o estilo, de fato, né? Um grande abraço!

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  2. alexandre alves · · Responder

    É sensacional isso… algumas vezes passei pela porta do Amazonas e não reparei isso!!! Que vergonha!!!

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