A fachada do IPHAN

AVENIDA RIO BRANCO, 44 E 46 B

ANTIGA CIA. DOCAS DE SANTOS
PROJETO DO ESCRITÓRIO TÉCNICO RAMOS DE AZEVEDO, 1904

ATUAL SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO IPHAN

O edifício da Companhia Docas de Santos foi inaugurado no dia 28 de janeiro de 1908, em comemoração ao centenário da abertura dos portos no Brasil. Foi construído pela Antonio Jannuzzi, Irmão e Cia., empresa responsável pelo projeto e construção de mais de 2500 obras no Brasil. O edifício não poderia estar mais bem protegido. Ali funciona, desde 1986, a sede carioca do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, órgão federal criado em 1937 responsável pela proteção ao patrimônio material e imaterial brasileiro.

Atlantes – nome que deriva de Atlas, o titã da mitologia grega condenado por Zeus a carregar o globo terrestre por toda a eternidade – são colunas antropomórficas cuja função simbólica é a sustentação de todo o peso da construção. À esquerda, um atlante – num conjunto de nove – desincumbe-se facilmente dessa tarefa. Sua inserção simbólica na fachada de uma companhia de navegação procede, já que Atlas, o senhor das águas distantes, batizou o oceano que banha o Brasil, o Atlântico.

A decoração abaixo, sobre o pórtico principal, em pedra-de-galho – granito da Tijuca -, mostra centralizados um mascarão e uma concha entre guirlandas de flores e volutas lembrando ondas. O embasamento do pavimento nobre, em mármore de carrara, foi executado pelo escultor italiano Alessandro Sighieri.

Mais abaixo, a proa de uma embarcação irrompe da fachada e produz ramos vegetais que fazem as vezes de marolas. Qual uma carranca, uma criança desnuda se segura, braços erguidos para trás, na extremidade da proa. Ao fundo, na posição do mastro principal da embarcação, faceando a fachada, um caduceu com extremidade em forma de pinha tem à sua volta duas serpentes entrelaçadas. Este instrumento, como tantas vezes se verá nas fachadas cariocas, evoca Mercúrio, o deus romano da Eloqüência, que ao trocar uma lira pelos bois de Apolo estabeleceu a primeira troca do Universo, tornando-se assim também o Padroeiro dos Comerciantes, palavra que inclusive ajudou a criar.

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3 Comentários

  1. Excelentes explicações.
    Bem desenvolvido o assunto texto, contexto e imagens.
    Valioso para meus estudos.
    Se possível enviar- me e- mail ou publicar maiores informações sobre a estrutura da porta,maçanetas, dobradiças e arquitetura ( detalhes arquitetônicos e artísticos ) da porta principal.

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    1. Prezada Heliane,
      Boa tarde e obrigado pelas palavras de incentivo. Além das informações constantes em meu livro – O RIO QUE O RIO NÃO VÊ – estou encaminhando para o teu e-mail alguns arquivos constantes da minha pesquisa, ok?
      Um abraço cordial,
      Luiz Eugenio

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  2. Luiz Eugenio, muito grata por sua contribuição aos nossos estudos. Gostaria, se possível, de receber o material também. wanessanunes84@hotmail.com

    Muitíssimo agradecida
    Wanessa Nunes

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