De olho na seguradora

Dizem que o bom historiador deve ter um olho no padre e outro na missa. Outro dia estava eu, que ainda estou longe de ser um bom historiador, pesquisando sobre um prédio no centro da cidade – sobre o qual ainda pretendo publicar -, quando me deparei com uma informação para lá de interessante. Durante a pesquisa para o meu primeiro livro, eu já havia fotografado alguns símbolos maçônicos pela cidade, o mais atrativo deles sendo “o olho que tudo vê”. Depreendia eu que, havendo naquelas fachadas uma referência tão forte à maçonaria, era evidente que os proprietários dos imóveis pertenceriam à maçonaria. Até aí nada de novo no front…

“O olho que tudo vê” se refere ao Grande Arquiteto do Universo – também conhecido como GADU. É o olho da Sabedoria e da Providência, de quem tudo vê, tudo sabe e está em todos os lugares.

Mas qual é a novidade? A novidade é que não se tratam de proprietários, no plural, e sim proprietário, no singular…

Aqui mesmo no blog eu publiquei, em 24 de novembro de 2016, a postagem OS OLHOS QUE TUDO VÊEM, na qual fornecia cinco imagens de cinco endereços onde se podia avistar o tal símbolo. O que eu não sabia é que aqueles endereços tinham algo mais em comum: o proprietário…

Na edição da tarde do dia 25 de março de 1913 o Jornal do Commercio trazia um extenso relatório da Diretoria da Companhia de Seguros Terrestres e Marítimos Argos Fluminense, apresentado em assembleia geral ordinária no dia anterior. O relatório lista, entre outras coisas, a relação de imóveis de propriedade da seguradora, abaixo reproduzida com meus comentários:

  1. Prédio na rua da Alfândega, 7 – era a sede da empresa naquele momento; ainda hoje está lá o olho que tudo vê na fachada;
  2. Prédio na rua do Hospício, 22 – a rua do Hospício é a atual Buenos Aires; o prédio dessa época foi derrubado;
  3. Prédio na rua Teófilo Otoni, 50 – a fachada não apresenta o símbolo, já que o prédio, sendo mais antigo, não foi construído pela seguradora;
  4. Prédio na rua Uruguaiana, 145 – ainda hoje está lá o olho que tudo vê na fachada;
  5. Prédio rua General Câmara, 66 – a rua inteira desapareceu para a abertura da Avenida Presidente Vargas; foram derrubados não só o prédio, mas a Igreja de Nossa Senhora da Conceição…
  6. Prédio na rua do Hospício, 166 e Andradas, 43 – a Drogaria Pacheco já se encontra ali há bastante tempo, e ainda hoje está lá o olho que tudo vê na fachada;
  7. Prédio na rua Sete de Setembro, 133 e 135 – ainda hoje está lá o olho que tudo vê na fachada;
  8. Prédio na Praça da República, 92 e 94 – idem.

Falta agora descobrir qual era a relação da seguradora com a Maçonaria…

Não deixe de ver!

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