AS 33 MÉTOPAS DO MINISTÉRIO DA FAZENDA

A exemplo da postagem do dia 16 de novembro passado, quando listei e mostrei os 18 mosaicos em vidro do Museu Nacional de Belas Artes, mostro hoje a decoração contida nas 33 métopas do Ministério da Fazenda, localizado na Avenida Presidente Antonio Carlos, 375, no Centro da cidade.

Mas o que são métopas? Segundo a Wikipedia brasileira, a métopa é o espaço existente entre dois tríglifos de um friso dórico no templo grego (https://pt.wikipedia.org/wiki/Métopa). Nesse caso específico, esses espaços foram ornamentados com baixos relevos em mármore confeccionados pelo grande escultor nacional Humberto Cozzo (São Paulo, 1900 – Rio de Janeiro, 1981).

Os historiadores da arte brasileiros têm se referido a este trabalho como “as principais fonte de renda do Brasil”, o que não me parece absolutamente correto, a julgar pelas diversas referências a atividades não necessariamente geradoras de renda, como a Dança, a Pintura, a Escultura e outras. Isso parece ficar evidente com a leitura da carta de 21 de agosto de 1941, encaminhada pelo escultor Humberto Cozzo para o Dr. Ary Fontoura de Azambuja, engenheiro-chefe da comissão de construção do edifício, na qual o artista afirma que “as 16 métopas do lado esquerdo representando as forças naturais; as outras 16 métopas correspondentes à parte direita do edifício as forças espirituais, industriais e comerciais. A métopa central, para onde convergem as laterais, terá uma composição representando o Estado Novo, chave e força propulsora do progresso nacional.”

No dia 20 de setembro de 2012, quando publiquei aqui sobre esse trabalho – https://orioqueorionaove.com/2012/09/20/ministerio-da-fazenda/ -, eu me referia às 33 métopas, mas mostrava apenas uma – a última, de número 33. Hoje não só estou mostrando cada uma das placas de mármore esculpidas por Cozzo por volta de 1943 como também a identificação da atividade representada em cada uma delas. Junto de algumas legendas coloquei um ponto de interrogação. O leitor pode – e deve – se sentir absolutamente à vontade para me ajudar a desvendar esse quebra-cabeças iconológico.[1]

As métopas aparecem aqui na mesma ordem em que estão dispostas na fachada, da esquerda para a direita de um observador frontal. Numerei-as, para facilitar.

Vamos lá, então:

1. Um homem com um arado e a deusa grega Deméter (Ceres, para os romanos) com sementes na mão representam a atividade agrícola.

2. Dois homens e uma alegoria feminina representam a produção vinícola.

Três alegorias femininas trazem produtos agrícolas nos braços.

3. Três alegorias femininas portam produtos agrícolas nos braços. Poderiam ser vagem, mandioca e arroz?

4. Verduras, coco e beterraba?

5. O cacau, o café e a cana-de-açúcar.

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6. O cultivo do algodão, a Fruticultura e a erva-mate.

O trigo, o milho e a floricultura.

7. O trigo, o milho e a Floricultura.

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8. A caça (?)

A atividade pesqueira.

9. A atividade pesqueira.

A indústria têxtil.

10. A indústria têxtil.

A siderurgia.

11. A siderurgia?

A cerâmica.

12. A Cerâmica.

A construção civil.

13. A construção civil.

14. O garimpo do ouro.

Os transportes (?)

15. Os transportes?

16. Cavaleiros em trajes de guerra cavalgam alinhados. Seria uma alusão às forças armadas nacionais, como sugere o amigo Ronaldo Rego?

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17. Um grupo de jovens junto à famosa escultura da Vitória de Samotrácia. Uma referência ao Estado Novo, chave e força propulsora do progresso nacional?

A construção naval.

18. A construção naval.

A aviação.

19. A Aviação.

A indústria madeireira.

20. A indústria madeireira.

O carvão.

21. O carvão vegetal.

O comércio marítimo.

22. O comércio marítimo representado pelo deus Mercúrio, Padroeiro dos Comerciantes, visto aqui junto a uma embarcação com seu capacete alado e seu caduceu.

A Pintura e a Escultura.

23. A Pintura e a Escultura.

O Ensino da Música.

24. O Canto.

A Arquitetura.

25. A Arquitetura.

26. A Dança está representada pelo deus Pã animando as ninfas com sua flauta encantada.

O próprio Apolo e sua lira representam a Música.

27. O próprio Apolo e sua lira representam a Música.

A Metalurgia (?)

28. O minério de ferro e a Metalurgia.

A Avicultura.

29. A Avicultura.

A criação de gado.

30. A criação de gado.

A Suinocultura.

31. A Suinocultura.

A Caprinocultura.

32. A Caprinocultura.

A Equinocultura.

33. A Equinocultura.

 

[1] A identificação das diversas atividades aqui representadas foi feita com a ajuda do Anuário Estatístico do Brasil, Ano VI, 1941-1945 (in http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/20/aeb_1941_1945.pdf).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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2 Comentários

  1. Muito boas fotos e comentários. Acredito que a placa 16 se refira às forças armadas, ao exército, pois cavalgam com elmos de guerra. Existe algum livro sobre a construção desse magnífico prédio, com fotos de todas as obras de arte ? Obra marcante do governo Vargas, orgulho da cidade. Poderia ser transformado num GRAND HOTEL, bem no centro da cidade. Quem teria dinheiro para bancar isso, sem ajuda do BNDES? Seria um hotel de altíssimo luxo, para concorrer com o Copacabana Palace. O prédio seria arrendado, pois não pode ser vendido, por ser patrimônio e tombado. Fica aqui a idéia.

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    1. Obrigadíssimo pela contribuição, Ronaldo! Já atualizei a legenda. Não conheço nenhum livro sobre a construção do prédio. Nos livros que encontrei referências sobre o prédio, tu já imaginas que nada encontrei sobre a confecção das métopas, né?

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