A ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE LUSO-BRASILEIRA

Olá, amigos! Escrevo hoje sobre um prédio que há tempos vinha merecendo um banho de loja, cuja rica decoração, como que por timidez, escondia-se na mesmice cromática em que se encontrava a fachada. Para nossa surpresa, o prédio acaba de ganhar um multicolorido banho de loja, numa miríade de cores bem vivas, a começar pelo forte tom laranja predominante. Trata-se da sede da Associação Beneficente Luso-Brasileira, no número 100 da Rua do Lavradio, hoje abrigando no térreo o Restaurante Demi-Glace – aliás muito bom, diga-se de passagem.

Batizada inicialmente de Centro Luso-Brasileiro Paulo Barreto[1], a instituição foi fundada em 1880, mas até o primeiro quartel do século XX não dispunha de uma sede condigna para receber seus afiliados e exercer suas atividades beneficentes. No dia 9 de outubro de 1926 o jornal A Noite publicava um projeto de autoria do arquiteto italiano Ricardo Buffa, que transformava o acanhado sobrado oitocentista num “novo e grandioso edifício”, como escreveu o periódico. [2]

Parece que Buffa gostava mesmo de evocar a proteção mitológica do grifo, animal fantástico com cabeça de águia e corpo de leão. Sua própria residência, por ele projetada na Rua Hermenegildo de Barros, 108 e 110, está guardada por dois deles. No caso específico do prédio da Rua do Lavradio, é oportuna a utilização deste animal para uma fachada de uma instituição cuja missão é amparar, já que o grifo, sendo o único animal que tem os pés na terra, como o leão, e o braços no céu, como a águia, possui no mundo cristão forte associação com o Cristo.

A construção, finalmente erigida em 1927, esteve a cargo do construtor português Joaquim da Silva Cardoso.        

O “projeto” do arquiteto Buffa publicado em 1926 no jornal A Noite. Nele é possível claramente ler o antigo nome da instituição – CENTRO LUZO-BRAZILEIRO PAULO BARRETO.

O jornal traz ainda algumas imagens do interior do prédio, que eu aqui reproduzo. Infelizmente, como 9 entre 10 interiores do tipo na cidade, não deve mais existir…

A elegante escadaria do espaço.
O Salão de Honra do então Centro Luso-Brasileiro Paulo Barreto
A claraboia da cúpula possuía um vitral no qual se encontrava representada uma caravela portuguesa trazendo no velame as cruzes da Ordem de Cristo.

Abaixo vão algumas imagens da fachada após a restauração. Clique nelas para vê-las em tela cheia.


[1] Para quem não sabe, a Wikipedia explica: Paulo Barreto é o verdadeiro nome do famosíssimo João do Rio. Jornalista, cronista, tradutor e teatrólogo carioca, João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto nasceu a 5 de agosto de 1881 e morreu no dia 23 de junho de 1921.

[2] Buffa, muito habilidoso com o lápis, parece ter aqui adaptado uma fotografia do prédio corrente para divulgar seu projeto.

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