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O Frontão da Santa Casa

RUA SANTA LUZIA, 206
SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DO RIO DE JANEIRO
PROJETO DE EXPANSÃO DE DOMINGOS MONTEIRO, 1842-52
REMODELAÇÃO DO PÓRTICO DE JOSÉ MARIA JACINTHO REBELLO, 1865

LUIGI GIUDICE (1826-1892) | BAIXOS-RELEVOS EM PEDRA DE LIOZ | 1868

Hoje escrevemos sobre o magnífico trabalho em baixo-relevo localizado no tímpano do frontão da Santa Casa da Misericórdia, talvez o mais grandioso da cidade, executado em 1868 pelo artista Luigi Guidice, ou Luís Giudice.

O frontão triangular está dividido em três corpos, sendo um medalhão circular central e duas flâmulas laterais simétricas, como se pode ver na imagem panorâmica acima.

Publicamos aqui, além da imagem do medalhão central reproduzida no livro, também as imagens das duas flâmulas laterais. Para descrever o medalhão central lancei mão do excelente texto do mestre Noronha Santos em seu livro Crônicas da Cidade do Rio de Janeiro:

“O frontão reto têm um tímpano, um baixo-relevo, obra do artista Luís Giudice, formando três painéis. O do centro é um medalhão de treze e meio palmos de diâmetro, no qual, em proporções maiores do que seria natural, está figurada a Misericórdia – como santa e carinhosa protetora de todos os infelizes. Os braços da imagem levantados sustentam um manto que, aberto, oferece proteção e abrigo a todos os desvalidos. De um lado, há um velho aleijado, já curvado pelo peso dos anos, tendo ao pé de si uma infeliz mãe, que aperta contra o seio um filhinho, que vai abandonar. Do outro lado, contempla-se uma matrona, que simboliza a caridade. Sustenta no regaço um inocente, a quem alimenta. Ainda, mas em outro plano, se vêem figuras de infelizes de ambos os sexos e idades diferentes, que completam o painel. Na parte inferior destacam-se dois escudos: um repousando sobre uma cruz e tendo esculpidas as cinco chagas de Cristo; e outro representando o brasão de armas do Brasil. Ornam os dois escudos as plantas do café e do fumo. No centro, entre um e outro escudo, distinguem-se as setas do mártir São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro.”

Assinado na base da figura principal L. GIUDICE. 1868.

Nas referidas flâmulas laterais simétricas, simbologicamente riquíssimas, destacam-se diversos símbolos alusivos à Religião, à Morte e à Medicina. Na flâmula abaixo – posicionada à esquerda do observador – vêem-se o báculo, a cruz com a inscrição JNRJ, a coroa de espinhos, a mitra, a estola, o cálice eucarístico e a hóstia envoltos num resplendor de luz, o livro dos sete lacres, folhas de palma, feixes de trigo, folhas de parreira e cachos de uva.

No baixo-relevo posicionado à direita do observador, visto abaixo, estão, entrelaçados com plantas medicinais, o livro aberto da ciência, o crânio humano e a ampulheta alada – significando o estudo e a passagem inexorável do tempo; a cobra e o espelho – simbolizando a saúde e a verdade.

A Rua Santa Luzia, com pequena circulação de automóveis, propicia uma tranquila contemplação ao interessado que desejar conferir in loco todo o esplendor desse belissimo frontão neoclássico carioca.

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