COSME, DAMIÃO E QUEM?

DSC_3925

Olá, leitores! Outro dia, em minhas andanças fotográficas à procura de alguma nova decoração de fachada para meus arquivos, descobri no bairro do Catete, para minha felicidade, um pequenino ornamento para lá de interessante. Repousa a pequena escultura em argamassa no interior do frontão de um sobrado novecentista da Rua Tavares Bastos, número 10, hoje pintado num extravagante amarelo com detalhes em rosa.

Analisando a foto acima vemos a representação quase trivial de dois santos bastantes conhecidos nossos: Cosme e Damião. Mas reparemos que, à direita deles e vestida exatamente como eles, há uma terceira figura, em menor tamanho. Quem será?

Acertou quem pensou Doum.

Sobre os irmãos Cosme e Damião já sabemos, por Jorge Campos Tavares, que “eram dois irmãos gêmeos de origem árabe que exerciam medicina gratuitamente na intenção de divulgar a Fé de Cristo. Teriam sido martirizados em 287 no tempo de Diocleciano. São padroeiros dos médicos, dos cirurgiões, dos farmacêuticos, dos barbeiros e dos herbanários. Iconograficamente, apresentam-se vestidos de doutores, com vestes forradas de peles, chapéu ou barrete de doutor e têm como atributos um estojo de cirurgião, um vaso de farmácia, uma caixa de unguentos, uma lanceta ou uma espátula para preparar pomadas e bálsamos, ou um urinol (frasco de vidro para examinar urina, exame muito importante na medicina antiga).”[1] Como mártires que são, carregam a palma da ressurreição. No Brasil, sua festa é comemorada no dia 27 de setembro.[2]

Nas religiões de origem africana, como o Candomblé e a Umbanda, o sincretismo religioso os associou a Ibeji, orixá protetor dos gêmeos. Para saber mais sobre o assunto, clique aqui.

Mas e Doum, afinal?

O Candomblé e a Umbanda acreditam que, a cada dupla de gêmeos nascidos, um terceiro não encarna nesse mundo. Esse terceiro, “aquele que não veio”, é Doum (ou Idowu), entidade que personifica as crianças e é seu protetor. Para saber mais sobre Doum, clique aqui.

O tema é espinhoso, e portanto paro por aqui. Meu interesse foi apenas o de registrar a ocorrência de tão interessante ornamento numa fachada carioca – ainda que extemporâneo, a meu ver, à construção do sobrado.

 

[1] Tavares, Jorge Campos. Dicionário de Santos. Porto: Lello e Irmão Editores, 1990.

[2] Não custa lembrar que no município pernambucano de Igarassu está, segundo o IPHAN, a mais antiga igreja católica do Brasil, iniciada em 1535. Trata-se da Igreja Matriz de São Cosme e São Damião.

2 Comentários

  1. José Roberto Teixeira Leite Jr. · · Responder

    A ideia do verbete nasceu da nossa resenha em Búzios?

    Curtir

    1. Não, Zila. A resenha em Búzios é que nasceu em função da ideia do verbete. Beijos.

      Curtir

Deixe uma resposta para José Roberto Teixeira Leite Jr. Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: